São Paulo
Produtores de cachaça querem selo para atestar qualidade
"As pessoas veem a cachaça como pinga de bêbado. Precisamos quebrar este paradigma", diz produtor paulista
Beth Matias
São Paulo - Uma parceria entre a Associação Paulista dos Produtores de Cachaça de Alambique (APPCA) e a Universidade de São Paulo deverá em breve ajudar os pequenos produtores do estado a atestarem a excelência do produto. O objetivo, segundo o presidente da entidade, Reinaldo Annicchino, é conquistar novos mercados e transformar a cachaça paulista em referência quando se fala do produto.
“Para conseguir este selo, os produtores terão de submeter o produto a uma análise química que irá levar em conta todos os componentes. Queremos o melhoramento do produto paulista, atingindo um grau de excelência”. Atualmente participam da APPCA cerca de 15 produtores, que produzem cerca de 800 mil litros por safra.
Segundo o produtor Christian Johnson, há muitas dificuldades para produzir cachaça no Estado de São Paulo. A maior delas, segundo ele, é a concorrência com as cachaças clandestinas, principalmente no interior do Estado. Outro gargalo é a falta de uma política de marketing que divulgue São Paulo como produtor de cachaça. “Todo mundo fala das cachaças artesanais de Minas e de Paraty (RJ). Eles estão 10 anos na nossa frente em termos de divulgação”.
Feinco - Tornar a cachaça paulista mais conhecida foi o que motivou a APPCA a participar da 7ª Feira Internacional de Ovinos e Caprinos (Feinco), que termina nesta sexta-feira (12), em São Paulo. Mas o que tem haver cabras e ovelhas com a cachaça?
Tudo, segundo o coordenador da carteira em São Paulo, Silvio César de Souza. “Há muitas formas de se utilizar a cachaça em pratos sofisticados, seja no preparo ou na degustação antes. Se o vinho pode ser apreciado, a cachaça também dá um sabor especial ao paladar”, afirma.
A associação participa da Cozinha Interativa, com chefes de cozinha que preparam pratos à base de ovinos e caprinos. Além disso, a APPCA também tem um estande onde interessados podem conhecer melhor o produto.
Johnson diz que é preciso acabar com o preconceito da cachaça. “As pessoas veem a cachaça como pinga de bêbado. Precisamos quebrar este paradigma. Por isso, estamos na feira para mostrar o quanto sofisticado pode ser degustar um prato com cachaça”.
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