Inovação
Incubadora capixaba lança novos produtos verdes no mercado
Bens e serviços originados por processos tecnológicos de lógica reversa, voltada ao reaproveitamento materiais descartados após o consumo e uso, estão em gestação na Incubalix, primeira incubadora de econegócios do País
Vanessa Brito, enviada especial da ASN
Cariacica - Empresários, cientistas, especialistas e acadêmicos do Espírito Santo se associam e desenvolvem projetos para futuros empreendimentos inovadores, tecnológicos e sustentáveis baseados nos processos de lógica reversa. Eles estão construindo e testando soluções para o reaproveitamento produtivo dos diferentes materiais descartados pelos consumidores em geral, visando mitigar impactos gerados pela humanidade, que já afetaram a reposição dos recursos naturais do planeta, assim como contribuir para a redução da geração de resíduos e, simultaneamente, transformar suas propostas em econegócios ou ecoindústrias de sucesso.
Esses são os objetivos dos empreendedores e autores dos projetos em gestação na Incubalix, primeira incubadora de econegócios do País. Ela foi criada no município de Cariacica, Região Metropolitana de Vitória, a partir de parceria entre o Sebrae no Espírito Santo, o Instituto Marca de Desenvolvimento Socioambiental (Imadesa) e a empresa Marca Ambiental. Sediada no aterro sanitário privado Marca Ambiental, essa nova modalidade de incubadora de negócios está em atividade há três anos. Esse aterro é também um empreendimento sanitário pioneiro no País, devido ao compromisso com a causa da sustentabilidade.
“Nossa intenção é que o resíduo volte para o ciclo de mercado, volte a ser commodity”, explica Marcelo Henrique, universitário do curso de Marketing, sócio e gerente de Operações da Revertec, um dos quatro empreendimentos apoiados, no momento, pela Incubalix. A Revertec está se especializando no desmonte, reaproveitamento e venda no comércio dos metais encontrados em placas de computadores, geladeiras e outros equipamentos eletroeletrônicos.
O segmento é promissor, segundo Marcelo. Cerca de 50 milhões de toneladas de computadores são descartados todos os anos no mundo, diz ele. O Governo Federal tem entre suas metas atuais a troca de 10 milhões de geladeiras antigas por novas. Os refrigeradores antigos emitem o CFC, gás que aumenta o efeito estufa e o buraco na camada de ozônio. Por esse motivo, linhas populares de geladeiras foram lançadas para estimular a troca e o descarte de modelos antigos. Esses dados ilustram o potencial do segmento em que a Revertec está atuando.
“Pesquisamos e comprovamos que existem muitos equipamentos sendo descartados pelo setor corporativo de Vitória. Grandes empresas leiloam esses materiais ou armazenam”, informa Luana Romero, formada em Administração de Empresas, com MBA em Gestão de Projetos e sócia da Revertec. O descarte acaba se tornando uma dor de cabeça para as empresas, diz ela.
A idéia dos dois jovens empreendedores vai além do econegócio chamado Revertec. Eles desejam alertar as empresas e consumidores e trabalhar junto com o Governo do Estado e prefeituras no sentido de gerar pontos de coleta desses materiais. “A gente vai ter que desenvolver esse circuito com o tempo”, diz Marcelo. Será necessário criar leis específicas para estruturar o ciclo de descarte e reaproveitamento em escala de computadores, geladeiras e televisores, entre outros.
“Vamos atuar também como consultores nessa área. O maior objetivo não é apenas saber descartar, mas como não produzir lixo eletrônico ou dar mais vida útil aos equipamentos”, ressalta Luana. Segundo ela, há estudos que apontam que, em 2012, haverá mais celulares no mundo do que pessoas. “A emissão de gás carbônico na atmosfera está diretamente relacionada ao número dos mais diversos equipamentos em uso no planeta”, alerta.
“Sem a Incubalix seria inviável iniciar um negócio como a Revertec. Só para construir um galpão como o que ocupamos aqui no aterro já precisaríamos de muito capital”, justifica Marcelo. O apoio do Sebrae/ES, do Imadesa e da empresa Marca Ambiental, mais o aval do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) asseguram credibilidade e viabilidade ao empreendimento.
“Teoricamente nosso econegócio se estrutura e dá retorno rapidamente, mas é um negócio para o futuro. Não estamos com pressa”, diz Marcelo. O mais importante, no momento, é iniciar a construção do ciclo de mercado que inclui produção, consumo, descarte e reaproveitamento dos equipamentos eletroeletrônicos.
Novo produto
Outro empreendimento na Incubalix é a Biomarca, uma pequena ecofábrica especializada na produção de biocombustível a partir de óleo descartado por bares, restaurantes, padarias e condomínios. O projeto dessa empresa ficou incubado dois anos e foi o primeiro a ser graduado, ou seja, emancipado, pela Incubalix.
Atualmente, a Biomarca conta com 570 pontos de coleta de óleo descartado em Vitória, que representam 30 mil litros/mês. O material é cuidadosamente recolhido por carros adaptados e equipe treinada para a finalidade. “Estamos evitando com isso a poluição do meio ambiente, especialmente dos lençóis freáticos”, afirma Humberto Martins, físico, engenheiro e sócio da Biomarca.
O segundo projeto da pequena ecofábrica e que também está na Incubalix, ainda não tem nome. Ele está sendo testado e patenteado. Trata-se do uso de um subproduto do óleo reaproveitado, a glicerina. “Trata-se de uma pasta diferenciada que pode ser utilizada em correias de minério e alumínio”, informa Humberto.
Os testes da pasta inovadora estão sendo feitos por uma engenheira química, no laboratório do aterro Marca Ambiental, e também no mercado. Eles são caros e a Incubalix patrocina os custos tanto dos testes quanto das licenças que o produto terá que obter para ser lançado, em breve, informa Gleides Martins, sócia da Biomarca.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7138 e 1207-9362
www.agenciasebrae.com.br
www.marcaambiental.com.br
Sebrae/ES - (27) 3041-5573
O aterro está localizado no município de Cariacica, na região metropolitana da Grande Vitória (ES)
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