GEM 2010
Maioria investe até R$ 10 mil para abrir negócio
Micro e pequenas empresas demandam baixos valores para abrir as portas
Mariana Flores
Brasília - A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2010, elaborada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) em parceria com o Sebrae, aponta que 58,1% dos empresários investiram até R$ 10 mil para abrir seus negócios. O levantamento considera uma média dos investimentos entre os anos de 2002 e 2010.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Sebrae, em São Paulo, mostra que os empreendimentos demandam um volume relativamente baixo de investimento. De cada 100 empresários, 18 gastaram menos de R$ 2 mil para iniciar a atividade. Apenas em 18,9% dos casos foi necessário um gasto superior a R$ 30 mil. O restante, 23,1%, nasceu com um investimento que variou de R$ 10 mil a R$ 30 mil.
A pesquisa mostra que, em média, 36% dos valores necessários para abrir a empresa são de capital próprio. O valor é baixo em relação a outros países. Nos Estados Unidos, os empresários utilizam 86% de recursos próprios. Na China e na Rússia, 67% e 44% do investimento, respectivamente, têm origem no caixa do próprio empreendedor.
Além do uso do capital próprio, no Brasil os empreendedores recorrem a familiares e pessoas próximas na hora de abrir a empresa. Dos que precisam pedir ajuda, 70,5% procuram alguém da família. Amigos ou vizinhos são a fonte complementar de recursos para outros 22,3%. O restante é financiado por investidores estranhos que têm uma boa ideia (3,8%), por colegas de trabalho (2,9%) ou por outros (0,6%).
Segundo os empresários, um dos pilares para o desenvolvimento e crescimento do negócio é o capital. A pesquisa mostra que eles reclamam da dificuldade de acesso ao crédito e seu custo elevado. Quando se analisa a disponibilidade de recursos para abrir uma empresa ou expandir o negócio, o Brasil se posiciona em 14º entre os países pesquisados. Apesar de o país ter avançado na questão macroeconômica, o acesso a crédito continua restrito.
Entre as demandas para avançar nos negócios, os empreendedores apontam também a diminuição do grau de exigência dos bancos na concessão de financiamentos e criação de central de aval por parte dos municípios, a estruturação de canais de divulgação voltados à disseminação dos recursos financeiros disponíveis e a simplificação do financiamento público voltado às micro e pequenas empresas.
Esta é a 11ª vez que o Brasil participa da pesquisa GEM, maior estudo contínuo sobre a dinâmica empreendedora do mundo. Desde sua primeira edição, em 1999, mais de 80 países participaram da pesquisa. Em 2011, 60 países foram pesquisados. O Sebrae é parceiro na realização da pesquisa no Brasil.
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