Em Vitória

Sebrae e BC apresentam novos indicadores do Sistema Financeiro para as MPE

O aumento da tomada de crédito e a queda na inadimplência estão entre dados exibidos no III Fórum de Cidadania Financeira

III Fórum de Cidadania Financeira, em Vitória (ES).Vitória - Um nível inédito de detalhamento das estatísticas financeiras das micro e pequenas empresas foi anunciado na manhã desta terça-feira (7) no III Fórum de Cidadania Financeira, no Centro de Convenções Vitória, na capital capixaba. A queda na inadimplência dos pequenos negócios e o aumento da tomada de crédito foram informações levantadas a partir de 1,6 mil indicadores do Sistema Financeiro Nacional (SFN), colocados à disposição do público pelo Banco Central e analisados por técnicos do Sebrae. As duas instituições promovem o evento no Espírito Santo até esta quarta-feira (8).

Os indicadores detalham diversos dados financeiros por porte de empresa, segundo a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (LC 123/2006), em nível nacional e por Unidades da Federação. "Isso traz um nível inédito de detalhamento das estatísticas financeiras das micro e pequenas empresas, que permitirá melhores diagnósticos e elaboração de políticas públicas eficientes", explicou o gerente de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, Alexandre Comin, durante entrevista coletiva, ao lado do diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central, Isaac Sidney, e da chefe do Departamento de Promoção de Cidadania Financeira do BC, Elvira Cruvinel.

Na oportunidade, os representantes do banco apresentaram o diagnóstico Panorama de Crédito do MEI, que identificou que apenas 19% dos microempreendedores individuais têm relacionamento com bancos como pessoa jurídica. 
  
Abaixo, seguem quatro indicadores nacionais inéditos relativos às micro e pequenas empresas, divididos por porte. Na sequência, são apresentados dois indicadores para o estado do Espírito Santo, que recebe a terceira edição do Fórum de Cidadania Financeira. A análise poderá ser realizada para todas as UF do país. 

Brasil
Mais microempresas são tomadoras de crédito

O Gráfico 1 revela que o número de Micro Empresas tomadoras de crédito passou de 1,1 milhão no início de 2012 para mais de 2,8 milhões em agosto de 2017. O rápido crescimento impressiona não só pela taxa, de quase 240%, mas também pelo fato de ocorrer na contramão da tendência geral do mercado. Já o número de Empresas de Pequeno Porte (EPP) recuou com relação ao pico de 2013 e ao início da série.

Cai a inadimplência das MPE

O Gráfico 2 mostra que o saldo da inadimplência vem caindo nos últimos meses para todos os portes de empresa, mas permanece elevado. O saldo das EPP se movimenta para baixo do limite de R$ 15 bilhões, que é o patamar observado antes da crise, de 2015 até este ano. Já as microempresas tem mostrado um quadro mais estável, com volume de créditos não pagos em torno de R$ 5 bilhões. 

Permanecem os diferenciais de juros entre as empresas

O Gráfico 3 revela que se mantém o diferencial das taxas médias de juros de acordo com o porte de empresa: as empresas grandes pagam em torno de 10% ao ano, ao passo que as microempresas pagam mais de 30%, as empresas de pequeno porte mais de 40% e os Microempreendedores Individuais (MEI) em torno de 70%.

Curioso notar que as taxas se alteraram relativamente pouco no período, marcado por grandes oscilações na taxa básica de juros. 

Crédito se torna ainda mais concentrado nas maiores empresas

O Gráfico 4 mostra que empresas de todos os portes perderam participação no crédito em benefício apenas das grandes empresas, que passaram a concentrar mais de 57% do total.

As EPP passaram de 13,5% em 2012 para menos de 10% em agosto de 2017. As ME passaram de 5,2% para 4,3%.

Juntas, as MPE, que representam 98% do universo de empresas e mais da metade do emprego, recebem pouco mais de 14% de todo o crédito do SFN.

Espírito Santo
Crédito para as MPE capixabas sofre retração

O Gráfico 5 mostra que o volume de crédito das MPE do Espírito Santo vem se estabilizando nos últimos meses, mas em níveis inferiores aos picos observados no início de 2015.

A pior queda foi a das EPP, que chegam ao final da série com uma carteira de R$ 2,9 bilhões, um terço menor do observado em 2012. A carteira das ME, de R$ 861 milhões, é maior do que no início da série, mas é apenas metade do saldo de janeiro de 2015.

Inadimplência das MPE do Espírito Santo se estabiliza

O Gráfico 6 informa que o Saldo em Inadimplência das MPE capixabas continua elevado para os padrões das séries, mas desde 2016 dá sinais de que parou de crescer.

Juntas, as MPE do estado estavam com dívidas em atraso da ordem de R$ 361,6 milhões em agosto de 2017, quase 20% menos do que os R$ 435,5 milhões de janeiro de 2015.


Metodologia

- Os valores monetários foram deflacionados para o mês final das séries (agosto de 2017), pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- A desagregação de porte do BC respeita a LC 123/2006 que define como microempresas (ME) as que possuem faturamento bruto anual de até R$ 360 mil e, como empresas de pequeno porte (EPP), empresas com faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões.

- A nota procura apresentar tão somente alguns dados selecionados, sem a intenção de refletir posições seja do Sebrae seja do BC.

 

 

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