Inclusão

Sebrae estimula crescimento do empreendedorismo nas favelas

Segmentos mais significativos apoiados nas comunidades são alimentação, comércio varejista e beleza

A ministra  Tereza Campello (MDS) durante o eventoSão Paulo – O trabalho exercido pelo Sebrae para estimular o desenvolvimento do empreendedorismo em  68 comunidades de nove cidades brasileiras resultou em 65.113 atendimentos realizados, com 5.719 empreendimentos formalizados. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo presidente do Sebrae, Luiz Barretto, durante o 2º Fórum Nova Favela Brasileira, realizado em São Paulo. De acordo com o presidente, os segmentos mais significativos de negócios apoiados pelo Sebrae nas favelas foram: alimentação (18,5%), comércio varejista (17,6%) e beleza (11,7%).  

“Os projetos desenvolvidos pelo Sebrae mostram que há uma tendência cada vez mais forte de empreendedorismo nas favelas, inclusive com o aumento do processo de formalização”, afirmou Barretto. No projeto piloto do Rio de Janeiro, por exemplo, o perfil dos atendimentos vem apresentando mudanças nos últimos dois anos e o número de empresas formalizadas já supera o de informais.

O presidente do Sebrae apresentou dados de uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Data Favela, com apoio do instituto Data Popular e da CUFA (Central Única das Favelas). O levantamento confirmou essa tendência de fortalecimento do empreendedorismo nas comunidades. De acordo com a pesquisa realizada no mês de fevereiro, ser o dono do próprio negócio é o desejo de quatro em cada dez moradores de favelas brasileiras. “O empreendedorismo é um mecanismo forte de inclusão produtiva e geração de emprego e renda para essa população”, destacou Luiz Barretto.

Entre os que pretendem se tornar empreendedores, 55% planejam estar estabelecidos em um prazo de três anos. Outro dado da pesquisa mostra que 63% dos entrevistados pretendem abrir seu empreendimento dentro da própria favela, índice superior ao verificado em 2014, quando esse universo atingiu 59%. “Existe demanda e renda entre a população local que justificam a abertura de novos negócios”, ressaltou Barretto. 

Dentro do perfil desses futuros empreendedores, o presidente do Sebrae destacou a participação das mulheres. Segundo a pesquisa, 51% das pessoas que pretendem abrir o próprio negócio nessas comunidades são do sexo feminino, índice que supera a média nacional. ”O empreendedorismo se tornou uma alternativa para essas mulheres, que precisam ter flexibilidade para conciliar o trabalho com as tarefas que continuam desempenhando”, lembrou Luiz Barretto. 

Ele ressaltou ainda o crescimento do número de empreendedores que estão abrindo empresas por identificar uma oportunidade de negócio e não por necessidade. De acordo com a pesquisa, a oportunidade é o fator mais decisivo para que os moradores das comunidades decidam empreender (48% dos casos). Para 16% dos entrevistados, a oportunidade e a necessidade foram os fatores mais importantes. A necessidade foi apontada como o motivo central para 35% dos entrevistados.

O segmento de alimentação foi o que apresentou o maior índice entre os que pretendem empreender, com 35% do total. Em seguida, vem o setor de vestuário (20%) e salão de beleza (13%). Segundo o levantamento, para 29% dos moradores das favelas, não ter chefe é a principal vantagem em ter um negócio próprio. Para 22% deles, o mais importante é ter uma fonte de renda e para 20% o fator mais decisivo é ganhar mais.

Oportunidades

Com a abertura de novos negócios nas comunidades, a economia local também se fortalece. “Pensando no potencial de consumo dos moradores, a favela ainda carece de mais oportunidades de negócios para atender à população local. Existem espaços para fomentar negócios nas mais diversas áreas”, destacou o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, salientando que 82% dos moradores compram itens básicos no comércio local, mas que 81% deles ainda busca lojas fora da favela para adquirir  roupas, eletrônicos, eletrodomésticos ou produtos de tecnologia.

Estudo

O estudo foi feito em fevereiro deste ano pelo instituto Data Favela, com apoio do Data Popular e da CUFA, ouvindo 2 mil moradores, de 63 favelas, localizadas em nove regiões metropolitanas e também no Distrito Federal (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília).

Fórum

O 2º Fórum Nova Favela Brasileira está sendo realizado no Teatro Cetip (Complexo Ohtake Cultural), em São Paulo, e é organizado pelos autores do livro Um país chamado Favela (editora Gente, 2014) Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Data Popular e fundador do Data Favela, e Celso Athayde, fundador da CUFA (Central Única das Favelas) e do Data Favela e presidente da Favela Holding.

Além da apresentação da pesquisa, o 2º Fórum Nova Favela Brasileira apresenta também painéis e debates divididos em cinco grandes eixos: Economia, Consumo e Empreendedorismo, Educação e Cultura, Juventude e Tecnologia, Vida em comunidade e Políticas Públicas, Comunicação, Publicidade e Marketing nas favelas. O evento conta com a participação de representantes do poder público, terceiro setor, iniciativa privada e moradores de favelas. 

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Presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, aborda o tema Empreendedorismo na Favela, durante o Fórum Nova Favela Brasileira

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