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Alta taxa de juros afasta empreendedores dos bancos

Pesquisa do Sebrae, com 6 mil empresários, confirma insatisfação dos pequenos negócios com o Sistema Financeiro do país

Pesquisa feita pelo Sebrae mostra que a maioria dos pequenos negócios no país está insatisfeita com o sistema financeiro brasileiro. Desde 2015, quando a pesquisa começou a ser realizada, a insatisfação é crescente, indicando que, apesar da superação do pior momento da crise econômica e da expressiva redução dos juros pelo Banco Central, os pequenos negócios permanecem com dificuldades no acesso ao crédito bancário.

Grande parte dos empresários de micro e pequenas empresas, 86% da amostra pesquisada, evita buscar novos empréstimos. A principal razão apontada é o elevado patamar da taxa de juros, ainda que a percepção de não necessidade de financiamento tenha sido reportada por 38% daqueles que não recorreram a recursos de terceiros.
Conforme a pesquisa Financiamento dos Pequenos Negócios 2018, realizada entre os meses de junho e agosto, o prazo de pagamento a fornecedores (54% dos entrevistados) e o cheque pré-datado (26%) são as formas mais usuais de financiamento. Tais práticas são adotadas para solucionar os problemas de caixa mais imediatos dado que o sistema financeiro não oferece condições adequadas.

A avaliação dos entrevistados em relação ao sistema bancário também revela a piora dos indicadores. Nos últimos cinco anos, 6 em cada 10 empresários não tomou nem manteve nenhum empréstimo junto a bancos, sendo que, nesse período, além das taxas de juros elevadas, os principais motivos apontados para se afastarem dos bancos foram a falta de garantias e de avalistas.

Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, o recado apontado na pesquisa é claro: o Sistema Financeiro Nacional não atende às necessidades dos pequenos negócios brasileiros. “As altas taxas de juros, a burocracia o excesso de exigências para tomar um empréstimo são como espantalhos que afugentam as pequenas empresas e impedem que elas busquem os recursos necessários para alavancar o negócio. Na prática, os bancos só estão disponíveis para as médias e grandes empresas, que podem oferecer maiores garantias para os financiamentos”, comenta o presidente do Sebrae.

Parceria
Para enfrentar a situação e tornar o sistema financeiro acessível aos empresários de pequenos negócios, o Sebrae e o BNDES firmaram parceria com atuação em quatro grandes frentes. O principal desafio está em tornar o acesso ao crédito um assunto de fácil gestão na rotina dessas empresas e simplificar as relações com os bancos para permitir acesso a financiamento, garantias de crédito e orientação empresarial. O trabalho é direcionado para a concessão de crédito orientado; reconhecimento dos canais de distribuição, com apoio das fintechs; e capitalização das MPE. “Com a parceria, o Sebrae busca aumentar o número de pequenos negócios atendidos com acesso a financiamentos do BNDES, além de melhorar o relacionamento das instituições financeiras com este público”, explica Afif.

Com o diagnóstico do perfil de financiamentos identificado na pesquisa, apresentando o prazo de pagamento de fornecedores e cheque pré-datado como principais fontes de financiamento, observa-se que parte do problema está centrado no comportamento financeiro dos pequenos empresários. Diante desse contexto, o Sebrae, em setembro de 2018, passou a disponibilizar serviços de orientação e capacitação financeira na plataforma de acesso ao crédito do BNDES - Canal MPME, com o objetivo de tornar o segmento de micro e pequenas empresas melhor preparado para obter financiamentos. “Essa parceria tem potencial de impulsionar o volume de negócios gerado pelo Sistema Financeiro junto aos pequenos empresários. De forma complementar, medidas que estão sendo implementadas pelo BNDES, como redução de taxas de juros, redução da burocracia com a digitalização dos processos e oferecimento de instrumentos de garantia, tornarão o ambiente mais favorável à obtenção de financiamentos”, relata Marcelo Porteiro Cardoso, Superintendente da Área voltada ao financiamento de pequenos negócios do BNDES.

Outros números da pesquisa
• Atualmente, para 51% dos empresários de pequenos negócios, a redução dos juros seria a principal medida para facilitar a tomada de empréstimos, enquanto que para 17% a diminuição da burocracia seria outra maneira de aproximar o segmento dos bancos.
• A falta de linhas de crédito, conforme 14% dos entrevistados, foi o principal argumento dado pelos bancos para não liberar empréstimos ou financiamentos. Mas, para 18% dos empreendedores que tiveram seu pedido negado pelo banco, não foi dada nenhuma justificativa por parte das instituições.
• Para 57% dos entrevistados, o fator que mais pesa na hora de tomar um empréstimo é seu custo.
• A forma mais frequente de empréstimo que a empresa fez, nos últimos 5 anos, foi por meio da Pessoa Jurídica (68%)